Castanha-do-Pará é a Nova Noz: A Oleaginosa Brasileira que os Italianos Aprovariam

Castanha-do-Pará é a Nova Noz: A Oleaginosa Brasileira que os Italianos Aprovariam

Você já parou para pensar que, muitas vezes, pagamos caro por nozes importadas que vêm do outro lado do mundo quando temos uma oleaginosa nacional de altíssima qualidade bem aqui? Estou falando da castanha-do-Pará. Apesar do nome, ela é encontrada em toda a região amazônica. Crocante, levemente amanteigada e com um sabor inconfundível, a castanha-do-Pará pode facilmente ocupar o lugar da noz em receitas doces e salgadas. E mais: tenho certeza que os italianos, mestres da culinária mediterrânea, aprovariam seu uso em pestos, massas, saladas e sobremesas. Chegou a hora de valorizar o que é nosso e descobrir um novo universo de sabores.

Por que a castanha-do-Pará pode ser a nova noz

A noz (Juglans regia) é muito utilizada na culinária italiana e mediterrânea. Ela aparece em molhos, recheios, pães, saladas e na famosa torta de nozes. Seu sabor é terroso, levemente adocicado e com um amargor suave. A castanha-do-Pará (Bertholletia excelsa) tem um perfil sensorial parecido, mas com personalidade própria. Ela é mais cremosa, tem uma textura que desmancha na boca e um gosto que remete à floresta – ah, e um toque sutil de terra úmida e castanha assada.

Além disso, a castanha-do-Pará é extremamente nutritiva. Ela é a maior fonte natural de selênio que existe, um mineral poderoso antioxidante. Também contém magnésio, zinco, vitamina E e gorduras boas (insaturadas). Em muitos aspectos, ela supera a noz comum. Então, por que continuar comprando nozes importadas a preços exorbitantes se temos a castanha-do-Pará fresca, mais barata e igualmente deliciosa? A resposta é apenas hábito. Vamos quebrar esse hábito hoje.

Receita: Pesto de castanha-do-Pará à italiana (mas com alma amazônica)

O famoso pesto genovês leva manjericão, alho, azeite, queijo parmesão e… pinholes (as sementes do pinheiro manso). Mas pinholes são caríssimos no Brasil. A castanha-do-Pará é a substituta perfeita: cremosa, neutra o suficiente para não roubar a cena do manjericão, e muito mais acessível. Faremos um pesto brasileiro-italiano que vai te surpreender.

Ingredientes do pesto

  • 1 xícara de castanha-do-Pará crua (sem sal, sem torrar)
  • 2 maços grandes de manjericão fresco (apenas as folhas – umas 3 xícaras de folhas soltas)
  • 2 dentes de alho pequenos
  • 1/2 xícara de azeite extravirgem (mais se necessário)
  • 1/2 xícara de queijo parmesão ralado (ou uma mistura de parmesão com pecorino)
  • Suco de 1/2 limão (para não escurecer)
  • Sal marinho a gosto
  • Pimenta-do-reino moída a gosto

Modo de preparo do pesto

  1. Se a castanha-do-Pará tiver a pele marrom escura, você pode deixá-la de molho em água fervente por 1 minuto e depois esfregar a pele com um pano para removê-la (não é obrigatório, mas deixa o pesto mais claro).
  2. No processador ou liquidificador potente, coloque as castanhas e processe até virar uma farofa grossa.
  3. Acrescente as folhas de manjericão, o alho, o suco de limão, sal e pimenta. Pulse algumas vezes.
  4. Com o processador ligado, vá adicionando o azeite em fio até formar uma pasta espessa, mas ainda com textura (não queremos um creme liso).
  5. Por último, adicione o queijo ralado e misture com uma colher. O queijo não deve ser processado por muito tempo para não ficar borrachudo.
  6. Prove e ajuste sal e azeite. Se o pesto estiver muito grosso, acrescente mais azeite aos poucos.

Esse pesto fica incrível com massas, pães, torradas, ovos mexidos e até como tempero para frango grelhado. Guarde na geladeira em um pote de vidro com uma fina camada de azeite por cima para não oxidar. Dura até uma semana.

Sugestão de uso: Macarrão ao pesto de castanha com tomates assados

Cozinhe 500g de massa (tipo penne ou fusili). Enquanto isso, asse 20 tomates cereja cortados ao meio com azeite, sal e tomilho por 15 minutos. Misture a massa cozida com 4 colheres de sopa do pesto de castanha. Finalize com os tomates assados, mais castanhas picadas por cima e raspas de limão. Sirva morno. É de comer rezando.

História da castanha-do-Pará: o ouro da Amazônia que o mundo inteiro cobiça

A castanha-do-Pará, também chamada de castanha-da-Amazônia ou castanha-do-Brasil, é um fruto da castanheira (Bertholletia excelsa), uma árvore imensa que pode viver mais de 500 anos e atingir até 50 metros de altura. Essa árvore só dá frutos em floresta nativa – até hoje ninguém conseguiu plantar castanheiras em plantações comerciais de forma produtiva. Cada ouriço (a casca dura) contém de 10 a 25 castanhas.

Antes da colonização, povos indígenas já consumiam e comercializavam as castanhas entre tribos. Com a chegada dos europeus, a castanha-do-Pará ganhou fama mundial. No século XVII, os jesuítas já a enviavam para a Europa como iguaria. No século XIX, tornou-se um importante produto de exportação, principalmente para os Estados Unidos e a Inglaterra.

Os italianos, especificamente, conheceram a castanha-do-Pará através dos imigrantes que voltavam do Brasil. Na região do Vêneto, algumas famílias passaram a usar castanhas-do-Pará moídas em receitas de natal no lugar das nozes mais caras. Portanto, a ideia de que a castanha-do-Pará “seria aprovada pelos italianos” não é apenas imaginação – ela tem respaldo histórico. Estamos, na verdade, resgatando um intercâmbio cultural que já existia.

Hoje, a castanha-do-Pará é um símbolo da bioeconomia amazônica. Seu extrativismo sustentável ajuda a manter a floresta em pé e gera renda para milhares de famílias. Ao preferi-la às nozes importadas, você não só acerta no sabor, mas também apoia uma cadeia produtiva justa e ambientalmente correta.

Dois acompanhamentos que ficam ainda melhores com a castanha-do-Pará

Agora que você já tem o pesto e outras ideias, que tal preparar acompanhamentos que valorizem ainda mais a nossa castanha? Selecionei duas opções que são fáceis e impressionam qualquer convidado.

1. Salada de folhas amargas com castanhas tostadas e lascas de pecorino: Pegue uma base de radiccio, escarola ou rúcula. Toste 1/2 xícara de castanhas-do-Pará picadas em uma frigideira seca (sem óleo) até ficarem levemente douradas e soltarem perfume. Espalhe sobre as folhas. Finalize com lascas finas de queijo pecorino (ou parmesão) e um molho simples de azeite, limão, mel, sal e pimenta. O amargor das folhas combinado com a doçura da castanha tostada é uma explosão de sabores mediterrâneos.

2. Arroz de forno com castanha-do-Pará, passas e funghi: Prepare um arroz branco soltinho (use caldo de legumes no lugar da água). Em uma tigela, misture o arroz já cozido com shitake ou funghi porcini hidratados e picados, 1/2 xícara de castanhas picadas grosseiramente, um punhado de passas brancas, salsinha picada e queijo parmesão. Coloque em um refratário untado, cubra com mais queijo e leve ao forno para gratinar (10 minutos). Esse arroz é uma refeição completa por si só e lembra os pratos de forno do norte da Itália – mas com um toque amazônico inconfundível.

Além disso, você pode usar castanha-do-Pará moída como farofa para empanar frango ou peixe, como crocante para sobremesas (iogurte, brigadeiro gourmet), e até como base para leite vegetal caseiro. As possibilidades são infinitas.

Conclusão: valorize a castanha-do-Pará, a nossa noz de ouro

A castanha-do-Pará é, sim, a nova noz – e com vantagens. Ela é brasileira, sustentável, mais acessível e tem um sabor único que, com certeza, os italianos e qualquer amante da boa gastronomia aprovariam. Seja no pesto, em saladas, em massas, no arroz de forno ou até em doces, a castanha-do-Pará merece um lugar de destaque na sua despensa.

Agora é a sua vez de experimentar e contar pra gente. Faça o pesto de castanha-do-Pará, prepare a salada ou o arroz de forno. E depois volte aqui para deixar sua opinião sincera. Você já usava castanha-do-Pará como substituta de nozes? Tem alguma outra receita criativa para compartilhar? Vamos trocar ideias e espalhar o amor pela nossa castanha amazônica. Mal posso esperar para ler seus comentários.


 

 

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